Terapia Intraóssea: Indicações, Técnica e Complicações no Atendimento de Emergência
Postado em 30/05/2026
Em situações de emergência, cada segundo conta. Quando o acesso venoso periférico convencional não é obtido rapidamente, a equipe de saúde precisa de uma alternativa eficaz e segura para garantir a administração de fluidos e medicamentos ao paciente crítico. A terapia intraóssea é essa alternativa: uma técnica reconhecida internacionalmente, respaldada pelas principais diretrizes de suporte avançado de vida, mas ainda subutilizada nos serviços de emergência brasileiros.
O Que É a Terapia Intraóssea
A terapia intraóssea consiste na introdução de uma agulha específica na cavidade da medula óssea, criando um acesso que permite a infusão de fluidos e medicações diretamente à circulação sistêmica venosa por meio da cavidade medular. Essa forma de acesso é possível porque a medula óssea é ricamente vascularizada, e os vasos sinusoides medulares não colapsam mesmo em situações de hipovolemia grave ou parada cardiorrespiratória.
Indicações da Terapia Intraóssea
- Parada cardiorrespiratória (PCR): quando o acesso venoso periférico não é obtido nos primeiros minutos;
- Estado de choque: quando a vasoconstrição periférica intensa torna as veias periféricas inacessíveis;
- Hipovolemia grave: em hemorragia maciça ou desidratação grave com colapso venoso periférico, especialmente em pediatria;
- Vasoconstrição severa: em hipotermia grave ou uso de vasopressores.
Por Que o Acesso Intraósseo Ainda É Subutilizado
Apesar de ser uma técnica segura e eficaz, o acesso intraósseo ainda não é amplamente utilizado nos serviços de urgência e emergência do Brasil, principalmente devido à falta de treinamento e à insegurança técnica relatada pelos profissionais.
Complicações do Acesso Intraósseo
Quando realizado corretamente por profissional treinado, o acesso intraósseo apresenta baixa taxa de complicações. As complicações mais descritas incluem:
- Infiltração ou extravasamento subcutâneo: quando a agulha não penetra adequadamente a cortical óssea ou se desloca após a inserção;
- Síndrome compartimental: complicação grave decorrente de extravasamento significativo de fluidos para os compartimentos musculares;
- Infecções decorrentes de antissepsia inadequada: aumentando o risco de osteomielite, bacteremia e sepse;
- Fraturas ósseas por agulhas inadequadas à idade pediátrica: especialmente em recém-nascidos e lactentes.
Sítios de Inserção Mais Utilizados
Os sítios anatômicos mais comumente utilizados incluem a tíbia proximal (o local mais utilizado, especialmente em pediatria), o úmero proximal (indicado em adultos quando a tíbia não é acessível) e o fêmur distal (frequentemente utilizado em lactentes). A escolha do sítio depende da idade do paciente, das condições clínicas e da experiência do profissional.
A Importância da Capacitação em Terapia Intraóssea
O domínio técnico da terapia intraóssea é uma competência essencial para enfermeiros que atuam em urgência, emergência e terapia intensiva. O treinamento adequado inclui o conhecimento das indicações e contraindicações, a identificação correta dos sítios de inserção, o manuseio dos dispositivos disponíveis (agulhas manuais e dispositivos automáticos como o EZ-IO), a técnica de fixação e o reconhecimento precoce das complicações.
