Cateteres para Hemodiálise: Curta Permanência, Permcath e Fístula Arteriovenosa
Postado em 29/05/2026
Acompanhando o envelhecimento progressivo da população brasileira, cresce de forma proporcional o número de pessoas acometidas por doenças renais crônicas. Esse cenário amplia continuamente a demanda por terapias renais substitutivas, que são os tratamentos capazes de assumir, parcialmente, as funções dos rins quando esses órgãos já não conseguem desempenhá-las de forma adequada.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), a hemodiálise é a modalidade de terapia renal substitutiva com o maior número de pacientes em tratamento no Brasil.
Terapia Renal Substitutiva: As Três Modalidades
- Hemodiálise: o sangue é desviado do organismo para uma máquina, onde é filtrado e devolvido ao paciente. É a modalidade mais utilizada no Brasil;
- Diálise peritoneal: utiliza o peritônio como membrana de filtração, podendo ser realizada em domicílio;
- Transplante renal: considerado o tratamento de maior impacto positivo na qualidade de vida e sobrevida do paciente.
A Importância do Acesso Vascular na Hemodiálise
A qualidade de vida dos pacientes renais crônicos submetidos à hemodiálise está diretamente relacionada à qualidade do acesso vascular utilizado no tratamento. O acesso vascular ideal deve reunir fácil obtenção, fluxo adequado (geralmente acima de 300 a 400 ml/min), boa durabilidade e baixo índice de complicações.
Cateteres de Curta Permanência
Os cateteres de curta permanência são indicados principalmente para situações de urgência dialítica e para pacientes com lesão renal aguda. São inseridos por via percutânea, geralmente nas veias jugular interna, subclávia ou femoral. Por serem dispositivos de uso temporário, apresentam maior risco de infecção e trombose quando mantidos por períodos prolongados.
Cateteres de Longa Permanência Semi-Implantáveis (Permcath)
Os cateteres de longa permanência semi-implantáveis, conhecidos como permcath, representam uma opção intermediária entre os cateteres temporários e a fístula arteriovenosa. São indicados para pacientes que necessitam de terapia dialítica por um período superior a uma semana e que ainda não possuem fístula arteriovenosa estabelecida ou madura. É um cateter tunelizado, com cuff de silicone que ancora o cateter no subcutâneo e funciona como barreira biológica contra a migração de microrganismos.
As principais indicações do permcath incluem pacientes com múltiplas comorbidades, pacientes idosos, anatomia vascular desfavorável e limitada expectativa de vida. Em relação aos cateteres de curta permanência, o permcath apresenta menor incidência de infecção e melhor fluxo para a diálise.
Fístula Arteriovenosa (FAV): O Acesso de Escolha
A fístula arteriovenosa (FAV) é considerada o acesso vascular de excelência para pacientes submetidos à hemodiálise crônica. Trata-se de uma anastomose cirúrgica entre uma artéria e uma veia periférica, geralmente no antebraço ou na região do cotovelo, que cria um acesso de alto fluxo. Após sua confecção, a fístula passa por um período de maturação de semanas a meses.
A FAV é amplamente preferida às demais opções por reunir menor necessidade de manutenção, menor morbimortalidade e maior durabilidade, podendo funcionar por anos ou décadas quando bem confeccionada e devidamente cuidada.
O Papel da Enfermagem no Cuidado com os Acessos para Hemodiálise
Independentemente do tipo de acesso vascular utilizado, a equipe de enfermagem desempenha papel fundamental na avaliação, manutenção e monitoramento desses dispositivos. A punção adequada da FAV, o cuidado correto com o permcath e o reconhecimento precoce de sinais de infecção ou disfunção do acesso são competências indispensáveis para o enfermeiro que atua em unidades de hemodiálise.
