Boas Práticas do PICC na Prevenção de Infecção de Corrente Sanguínea
Postado em 28/05/2026
A infecção de corrente sanguínea associada ao cateter (ICSAC) é uma das complicações mais graves relacionadas ao uso de dispositivos de acesso vascular. Nos cateteres venosos centrais, ela está associada a aumento significativo da morbimortalidade, prolongamento do tempo de internação e elevação dos custos hospitalares. No contexto do PICC, a prevenção da ICSAC depende diretamente da qualidade das práticas adotadas pela equipe de saúde em todas as etapas: da inserção à manutenção e à retirada do cateter.
O PICC e Seu Crescimento na Prática Clínica
Os Cateteres Centrais de Inserção Periférica (PICCs) são dispositivos inseridos em veias periféricas do braço, com a ponta posicionada na veia cava superior. Entre os principais benefícios do PICC, destaca-se a redução de complicações mecânicas durante a inserção, como pneumotórax e hemotórax. No entanto, assim como qualquer cateter venoso central, o PICC não está isento do risco de infecção.
1. Inserção com Técnica Asséptica e Barreira Máxima de Proteção
Toda inserção de PICC deve ser realizada com precauções assépticas rigorosas e com a aplicação da técnica de barreira máxima de proteção, incluindo campo estéril amplo cobrindo todo o paciente e equipamentos de proteção individual completos.
2. Higienização das Mãos
A higienização das mãos antes e após qualquer manipulação do cateter permanece como a medida de controle de infecção de menor custo e maior impacto comprovado, seguindo a técnica correta dos cinco momentos preconizados pela OMS.
3. Uso Correto dos Equipamentos de Proteção Individual
Durante a manipulação do PICC, os profissionais devem utilizar os EPIs adequados ao procedimento: máscara cirúrgica, gorro, luvas estéreis, óculos de proteção e avental.
4. Proteção do Curativo Durante o Banho
Antes do banho, o curativo do PICC deve ser coberto com material impermeável. A umidificação do curativo compromete sua aderência e capacidade de barreira contra microrganismos.
5. Observação e Troca do Curativo
O sítio de inserção do PICC deve ser inspecionado diariamente, mesmo sem a remoção do curativo, para a identificação precoce de sinais de infecção local, como eritema, edema, calor, dor ou secreção. O curativo deve ser trocado imediatamente sempre que estiver úmido, sujo ou com aderência comprometida.
6. Recomendações do Fabricante do Dispositivo
As recomendações específicas do fabricante do PICC devem ser sempre consideradas e seguidas pela equipe de enfermagem, incluindo tipo de válvula, material de fabricação, volume de salinização recomendado e pressão máxima suportada.
7. Desinfecção dos Conectores Valvulados
A desinfecção rigorosa dos conectores valvulados antes de cada acesso ao cateter é uma medida essencial para a prevenção da ICSAC. O conector deve ser friccionado por no mínimo 15 segundos com álcool a 70%, aguardando a secagem completa antes de acessar o sistema.
8. Educação Permanente da Equipe
O treinamento contínuo da equipe de saúde é um dos pilares mais importantes da prevenção de infecção associada ao cateter, abordando critérios de indicação, técnica de inserção, cuidados de manutenção e reconhecimento precoce de complicações.
9. Protocolos Institucionais Atualizados
A elaboração e a manutenção de protocolos institucionais atualizados para o uso do PICC são fundamentais para garantir a padronização das práticas e a consistência do cuidado em todos os turnos e por todos os membros da equipe.
A Cultura de Segurança como Alicerce das Boas Práticas
A prevenção da infecção de corrente sanguínea associada ao PICC não se resume a um conjunto de procedimentos técnicos: ela reflete a cultura de segurança da equipe e da instituição. Quando cada profissional compreende o impacto de suas ações na segurança do paciente e age com responsabilidade e comprometimento, os indicadores de infecção melhoram de forma sustentável.
