Enfermagem e Hemodiálise: Cuidados, Complicações e o Papel da Equipe

Enfermagem e Hemodiálise: Cuidados, Complicações e o Papel da Equipe

Postado em 25/05/2026

A doença renal crônica representa um dos maiores desafios da saúde pública contemporânea. Com prevalência crescente em todo o mundo, ela exige tratamentos contínuos, de alta complexidade e com impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes. Nesse contexto, a hemodiálise ocupa papel central como principal modalidade terapêutica, e a equipe de enfermagem é protagonista indispensável na qualidade e na segurança desse cuidado.

O Que É a Doença Renal Crônica

A doença renal crônica (DRC) é definida como uma lesão do parênquima renal e/ou pela diminuição funcional dos rins por um período igual ou superior a três meses. À medida que a perda funcional dos rins se agrava, surgem manifestações clínicas como anemia, anorexia, distúrbios hidroeletrolíticos (hipercalemia e hiperfosfatemia), acidose metabólica e hiperparatireoidismo secundário.

A Hemodiálise como Principal Tratamento da DRC

A hemodiálise é a forma mais utilizada de tratamento da insuficiência renal crônica em estágio terminal. Nesse procedimento, o paciente é conectado a uma máquina que simula o processo de filtração glomerular realizado pelos rins sadios, extraindo do sangue as substâncias tóxicas e o excesso de água retido pelo organismo. Para isso, é fundamental o estabelecimento de um acesso vascular ideal, que pode ser uma fístula arteriovenosa, um enxerto ou um cateter venoso central de duplo lúmen.

Modalidades de Hemodiálise

  • Hemodiálise convencional: realizada geralmente três vezes por semana, com sessões de três a quatro horas;
  • Hemodiálise diária: sessões mais curtas realizadas diariamente, permitindo melhor controle da uremia;
  • Hemodiálise noturna: sessões prolongadas realizadas durante o sono do paciente;
  • Hemodiálise domiciliar: realizada no próprio domicílio do paciente após treinamento adequado.

Complicações Mais Comuns Durante a Hemodiálise

  • Hipotensão arterial: a complicação mais frequente, relacionada à redução do volume circulante;
  • Cãibras musculares: associadas à hipotensão e à remoção excessiva de fluidos;
  • Náuseas e vômitos: frequentemente associados à hipotensão ou à síndrome do desequilíbrio;
  • Cefaleia: relacionada à variação pressórica ou ao desequilíbrio de ureia;
  • Dor torácica e dor lombar: devem ser investigadas com atenção;
  • Prurido: relacionado à uremia e ao hiperparatireoidismo;
  • Febre e calafrios: podem indicar infecção do acesso vascular.

Complicações Menos Comuns, mas Graves

  • Síndrome do desequilíbrio: edema cerebral causado pela redução rápida dos níveis de ureia, com cefaleia intensa, confusão mental e convulsões;
  • Reações de hipersensibilidade: urticária, broncoespasmo ou choque anafilático;
  • Arritmias cardíacas: favorecidas pelas variações eletrolíticas de potássio e cálcio;
  • Hemorragia intracraniana e convulsões: associadas à hipertensão não controlada ou anticoagulação excessiva;
  • Hemólise: destruição de hemácias por temperatura inadequada do dialisato, exigindo suspensão imediata da sessão;
  • Embolia gasosa: entrada de ar no circuito extracorpóreo, situação potencialmente fatal.

Hipovolemia e Hipotensão: As Complicações Mais Frequentes

A literatura aponta consistentemente a hipovolemia e a hipotensão arterial como as complicações mais frequentes da hemodiálise. Elas ocorrem quando o ritmo de ultrafiltração programado na máquina supera a capacidade de preenchimento vascular do paciente. O enfermeiro deve monitorar frequentemente a pressão arterial durante a sessão e estar preparado para intervir prontamente com redução da taxa de ultrafiltração, posicionamento do paciente e reposição de volume quando necessário.

O Papel da Enfermagem na Qualidade do Tratamento Dialítico

A qualidade do tratamento dialítico é diretamente influenciada pelo desempenho da equipe de enfermagem. Cabe ao enfermeiro coordenar e executar as intervenções direcionadas a cada intercorrência, monitorar continuamente os sinais vitais e os parâmetros da máquina, gerenciar o acesso vascular e educar o paciente sobre sua condição e seu tratamento.

É amplamente reconhecido que o cuidado de enfermagem aos pacientes em diálise vai além do domínio técnico: ele requer sensibilidade, empatia e envolvimento humano. A presença acolhedora e competente da equipe de enfermagem é parte essencial do cuidado integral a esse público.

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