Boas Práticas para a Remoção do PICC: Guia Completo para Enfermeiros
Postado em 29/04/2026
Quando o PICC Deve Ser Removido?
O cateter central de inserção periférica (PICC) não possui um tempo de permanência máximo definido na literatura. O ideal é que o cateter permaneça até o final do tratamento medicamentoso para o qual foi indicado. No entanto, quando ocorrem complicações como infecção, obstrução irreversível, ruptura, trombose ou exteriorização do cateter, a remoção imediata pode ser necessária.
Independentemente do motivo da remoção, o procedimento deve ser realizado com técnica adequada, rigorosas medidas de assepsia e atenção total às condições do paciente. Uma remoção mal executada pode resultar em embolia venosa, retenção de fragmento do cateter, sangramento excessivo ou infecção do sítio de inserção.
Passo a Passo: Boas Práticas para a Remoção do PICC
O procedimento de remoção do PICC deve seguir uma sequência padronizada de cuidados para garantir a segurança do paciente e do profissional. A seguir, o guia completo baseado nas melhores evidências disponíveis:
1. Higiene das Mãos
Antes de iniciar qualquer manipulação do cateter, realize a higienização completa das mãos com água e sabão ou solução alcoólica a 70%, seguindo a técnica dos 7 passos preconizada pela Organização Mundial da Saúde. A higiene das mãos é a medida mais eficaz para prevenir infecções relacionadas ao procedimento e deve ser realizada imediatamente antes de calçar as luvas estéreis.
2. Comunicação e Posicionamento do Paciente
Comunique ao paciente sobre o procedimento que será realizado, explicando cada etapa de forma clara e acessível. O esclarecimento reduz a ansiedade e favorece a cooperação do paciente durante a remoção. Posicione o paciente em decúbito dorsal com o membro superior em extensão, facilitando o acesso ao sítio de inserção e reduzindo o risco de embolia gasosa.
3. Antissepsia do Local de Inserção
Realize a antissepsia da pele ao redor do sítio de inserção seguindo o protocolo da instituição. Geralmente utiliza-se clorexidina alcoólica a 2% ou povidona-iodada, respeitando o tempo de ação preconizado pelo fabricante. Aguarde a completa secagem do antisséptico antes de iniciar a remoção do curativo e do cateter.
4. Remoção Lenta e com Movimentos Suaves
Retire o cateter lentamente, com movimentos suaves e contínuos, mantendo tração constante e uniforme. Nunca force a retirada do cateter, pois essa conduta pode resultar em ruptura do dispositivo e retenção de fragmentos no interior da veia, uma complicação grave que pode exigir intervenção cirúrgica.
5. Atenção ao Sinal de Resistência
Se sentir resistência durante a remoção, interrompa o procedimento imediatamente. A resistência pode indicar presença de trombo ao redor do cateter, vasoespasmo ou aderência do cateter à parede do vaso. Nessa situação, aplique compressas mornas no trajeto venoso, aguarde alguns minutos e tente novamente com movimentos muito delicados. Se a resistência persistir, comunique imediatamente à equipe médica.
6. Compressão Digital no Sítio de Inserção
Após a remoção completa do cateter, aplique compressão digital imediata e firme no sítio de inserção até a hemostasia completa. O tempo de compressão varia de acordo com o estado de coagulação do paciente, sendo geralmente de 2 a 5 minutos para pacientes sem coagulopatia. Em pacientes anticoagulados, o tempo de compressão deve ser prolongado e monitorado com maior atenção.
Após a hemostasia, realize curativo oclusivo estéril no sítio de inserção, que deve permanecer por pelo menos 24 horas para prevenir contaminação e embolia gasosa.
7. Exame do Cateter Removido
Examine minuciosamente o cateter removido para certificar que foi retirado completamente e que não há fragmentos retidos. Verifique a integridade de toda a extensão do cateter, certificando-se que o comprimento removido corresponde ao comprimento inserido documentado no prontuário do paciente. Qualquer divergência deve ser comunicada imediatamente à equipe médica.
8. Registro do Procedimento
Registre todos os detalhes do procedimento de remoção no prontuário do paciente, incluindo a data e hora da remoção, o comprimento do cateter removido, as condições do sítio de inserção no momento da remoção, eventuais intercorrências durante o procedimento e as orientações fornecidas ao paciente após a retirada.
Cuidados Pós-Remoção
Após a remoção do PICC, oriente o paciente a manter o curativo no local por pelo menos 24 horas, evitar movimentos bruscos do membro e comunicar imediatamente qualquer sinal de sangramento, hematoma progressivo, dor intensa ou formigamento. O acompanhamento após a remoção é parte integrante dos cuidados de enfermagem e garante a segurança do paciente mesmo após o procedimento.
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