Oncopediatria: cuidados de enfermagem à criança com câncer
Postado em 11/10/2026
O câncer na criança é diferente do câncer no adulto: tipos, velocidade de crescimento, resposta ao tratamento e impacto na família. Veja o que a enfermagem precisa dominar em cada fase do cuidado.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaNa oncopediatria, a enfermagem atua do diagnóstico precoce ao acompanhamento após o tratamento. Os tipos mais frequentes na infância e adolescência são as leucemias, os tumores do sistema nervoso central e os linfomas. O Enfermeiro administra quimioterapia antineoplásica, atividade privativa pela Resolução Cofen nº 569/2018, cuida do cateter venoso central, reconhece e trata como emergência a febre na criança neutropênica, previne e maneja mucosite e dor e apoia a família em todas as etapas. No Brasil, a Lei nº 14.308/2022 instituiu a Política Nacional de Atenção à Oncologia Pediátrica, para a faixa de 0 a 19 anos.
Por que o câncer infantil é diferente
O protocolo de diagnóstico precoce do Ministério da Saúde, elaborado com o INCA e a Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica, explica que o câncer na infância tem, em geral, origem em células embrionárias, período de latência curto e crescimento rápido. Diferentemente do adulto, os fatores de risco ambientais e de hábitos de vida têm pouco peso, e o câncer pediátrico não é considerado prevenível até o momento. Por isso, a principal estratégia é o diagnóstico precoce.
A Lei nº 14.308/2022 tem como objetivos aumentar a sobrevida, melhorar a qualidade de vida e reduzir a mortalidade e o abandono do tratamento, com prioridade ao diagnóstico precoce e acesso a centros habilitados. A lei também prevê programas de cuidados paliativos pediátricos.
Sinais de alerta: o olhar da atenção primária
Muitas crianças passam pela UBS ou pelo pronto-socorro antes do diagnóstico. O Enfermeiro que faz puericultura ou acolhimento precisa reconhecer os sinais que justificam avaliação médica sem demora. O protocolo do Ministério da Saúde destaca:
- Febre por mais de 7 dias sem causa aparente.
- Palidez, sangramentos, manchas roxas sem trauma e emagrecimento.
- Dor óssea progressiva ou que acorda a criança.
- Cefaleia persistente e progressiva, sobretudo noturna, com vômitos.
- Reflexo branco na pupila (leucocoria), estrabismo de início súbito ou olho saltado.
- Massa palpável no abdome e linfonodos aumentados sem explicação.
- Sinais neurológicos focais, agudos ou progressivos.
Quimioterapia segura na criança
A Resolução Cofen nº 569/2018 aprova o regulamento da enfermagem em quimioterapia antineoplásica. Cabe privativamente ao Enfermeiro ministrar o quimioterápico conforme protocolo, realizar a consulta de enfermagem e elaborar protocolos de prevenção e manejo de efeitos colaterais. O Técnico de Enfermagem executa ações de cuidado ao paciente em tratamento, sob supervisão do Enfermeiro, mas não administra o antineoplásico.
Na pediatria, a dupla checagem ganha peso porque as doses são calculadas por peso ou superfície corporal. As regras gerais estão no post Cálculo de medicação em pediatria. Outros pontos críticos:
- Confirmar identificação, protocolo, ciclo, dia e peso ou superfície atualizados antes de cada aplicação.
- Avaliar o acesso venoso antes e durante a infusão, com vigilância de extravasamento, sobretudo com vesicantes.
- Usar EPI e seguir as regras de manipulação de antineoplásicos, também no descarte de excretas.
- Orientar a família sobre efeitos esperados e sinais que exigem retorno imediato.
Como o tratamento é longo, a maioria das crianças usa cateter venoso central, como o cateter totalmente implantado ou o PICC. Os cuidados estão em Port-a-cath: técnica e cuidados e PICC na oncologia.
Complicações que a enfermagem precisa antecipar
Neutropenia febril. Febre em criança neutropênica é emergência. A diretriz internacional de 2023 para febre e neutropenia em pediatria orienta, nas crianças clinicamente instáveis, iniciar o antibiótico o mais rápido possível, enquanto se faz a estabilização. O Enfermeiro garante a triagem prioritária, coleta de hemoculturas conforme protocolo, acesso e início da terapia prescrita sem atraso. A abordagem geral da febre infantil está em Febre na criança, mas, na criança com câncer, o fluxo é outro.
Mucosite oral. Exige avaliação diária da cavidade oral com escala padronizada, higiene oral orientada, controle da dor e atenção à alimentação. A fotobiomodulação tem sido usada em protocolos de prevenção em centros oncológicos, conforme indicação da equipe.
Dor. Use escalas adequadas à idade, como as de faces e as comportamentais para crianças que não verbalizam, e reavalie após cada intervenção.
Náuseas, vômitos e nutrição. Antieméticos conforme prescrição, controle de peso e articulação com a nutrição.
Esses temas, junto com o manejo das emergências oncológicas, são aprofundados no curso Oncopediatria, do Grupo Nobre.
Família, escola e cuidado paliativo
O diagnóstico de câncer reorganiza a vida de toda a família. A enfermagem tem papel central na educação dos cuidadores, no acolhimento dos irmãos e na comunicação adequada à idade da criança. A Lei nº 13.716/2018 assegura atendimento educacional ao aluno da educação básica internado para tratamento de saúde por tempo prolongado, o que dá base para as classes hospitalares e o atendimento domiciliar.
Cuidado paliativo pediátrico não é sinônimo de fim de vida. Ele pode começar no diagnóstico, junto ao tratamento curativo, com foco em controle de sintomas e qualidade de vida.
Perguntas frequentes
Qual o câncer mais comum na criança?
As leucemias, seguidas pelos tumores do sistema nervoso central e pelos linfomas, segundo o protocolo de diagnóstico precoce do Ministério da Saúde.
Técnico de enfermagem pode administrar quimioterapia?
Não. Pela Resolução Cofen nº 569/2018, ministrar o quimioterápico antineoplásico é atividade privativa do Enfermeiro. O técnico participa dos cuidados sob supervisão.
Criança em quimioterapia pode tomar vacinas?
Depende do tipo de vacina e da fase do tratamento. Vacinas de vírus vivos geralmente são contraindicadas durante a imunossupressão. Siga a orientação da equipe de oncologia e dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais.
Quimioterapia, emergências oncológicas, dor e apoio à família na oncologia pediátrica.
Referências
- Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo de diagnóstico precoce para oncologia pediátrica. Brasília: Ministério da Saúde; 2017.
- Brasil. Lei nº 14.308, de 8 de março de 2022. Institui a Política Nacional de Atenção à Oncologia Pediátrica.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 569/2018. Regulamento Técnico da Atuação dos Profissionais de Enfermagem em Quimioterapia Antineoplásica.
- Lehrnbecher T, Robinson PD, Ammann RA, et al. Guideline for the management of fever and neutropenia in pediatric patients with cancer and hematopoietic cell transplantation recipients: 2023 update. J Clin Oncol. 2023;41(9):1774-85.
- Brasil. Lei nº 13.716/2018. Altera a Lei nº 9.394/1996 para assegurar atendimento educacional ao aluno em tratamento de saúde.
