Cardiotocografia: por que o Enfermeiro precisa dominar o exame

Cardiotocografia: por que o Enfermeiro precisa dominar o exame

Postado em 11/10/2026

Em muitas maternidades, é o Enfermeiro quem instala o cardiotocógrafo, acompanha o traçado e percebe primeiro que algo mudou. Dominar o exame é questão de segurança para a gestante e para o bebê.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaA cardiotocografia registra ao mesmo tempo a frequência cardíaca fetal e as contrações uterinas e é usada para avaliar o bem-estar fetal na gestação e no trabalho de parto. O Enfermeiro precisa dominar o exame porque participa de todas as etapas: preparo e posicionamento da gestante, instalação correta dos transdutores, qualidade do registro, leitura sistemática do traçado, reconhecimento de alterações, comunicação imediata à equipe e registro. A Lei nº 7.498/1986 atribui ao Enfermeiro o acompanhamento da evolução do trabalho de parto, e a ausculta dos batimentos cardiofetais é reconhecida pelo Cofen como parte da consulta de enfermagem. Atuar com segurança exige capacitação e protocolo institucional.

Por que esse exame é responsabilidade de toda a equipe

O traçado da cardiotocografia não serve para nada se for instalado de forma errada, se ninguém olhar para ele ou se a alteração for percebida e não comunicada. Na rotina das maternidades, o Enfermeiro costuma estar presente nos três momentos críticos: quando o exame começa, enquanto ele corre e quando é preciso agir. Por isso, saber executar e interpretar o exame faz parte da competência do Enfermeiro que atua em obstetrícia.

O passo a passo da leitura do traçado, pelos critérios da FIGO, está no post Cardiotocografia: como interpretar o traçado. Aqui o foco é o papel do Enfermeiro antes, durante e depois do exame.

Indicação: quando o exame faz sentido

Nem toda gestante precisa de monitorização contínua. As Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal, do Ministério da Saúde, orientam a ausculta fetal intermitente para parturientes de baixo risco e reservam a cardiotocografia contínua para situações de risco ou quando a ausculta identifica alterações. A revisão Cochrane sobre o tema mostrou que a cardiotocografia contínua no trabalho de parto se associa a menos convulsões neonatais, mas também a mais cesarianas e partos instrumentais, sem diferença na mortalidade perinatal.

Entender a indicação ajuda o Enfermeiro a evitar dois erros opostos: monitorizar sem necessidade, restringindo a mobilidade da mulher, e deixar de monitorizar quando há fator de risco.

O que o Enfermeiro precisa dominar

EtapaPontos de atenção
PreparoExplicar o exame, conferir identificação, posicionar a gestante em decúbito lateral ou semissentada, evitando decúbito dorsal
InstalaçãoLocalizar o foco fetal pela manobra de Leopold, fixar o transdutor de ultrassom sobre o dorso fetal e o tocodinamômetro no fundo uterino
Qualidade do registroConferir a velocidade do papel, perda de sinal e se o registro não é da frequência cardíaca materna
LeituraLinha de base, variabilidade, acelerações, desacelerações e contrações, sempre com o contexto clínico
AçãoMedidas iniciais previstas em protocolo e comunicação imediata ao obstetra ou ao Enfermeiro obstetra responsável
RegistroHorário, condições do exame, achados, condutas e a quem foi comunicado

Comunicação: o traçado alterado não pode esperar

Identificar um padrão suspeito ou patológico é só metade do trabalho. A outra metade é comunicar de forma clara, com os dados que a equipe precisa para decidir: o que foi visto, desde quando, o contexto clínico e o que já foi feito. A comunicação estruturada, no formato SBAR, ajuda a evitar mal-entendidos em momentos críticos. Em seguida, registre no prontuário o horário da comunicação e a resposta recebida.

Esse domínio vem de prática supervisionada e estudo dos padrões do traçado. A Habilitação em Cardiotocografia do Grupo Nobre trabalha a execução, a leitura sistemática e a tomada de decisão a partir do exame.

Perguntas frequentes

O Enfermeiro pode realizar a cardiotocografia?

Sim. O Enfermeiro que assiste a gestante pode executar o exame, desde que tenha competência técnica para isso e exista protocolo institucional. A interpretação deve sempre considerar o contexto clínico.

Toda parturiente precisa de cardiotocografia contínua?

Não. Para gestantes de baixo risco, as diretrizes nacionais orientam ausculta intermitente. A monitorização contínua é indicada em situações de risco ou diante de alterações.

O que fazer diante de um traçado alterado?

Adotar as medidas iniciais previstas no protocolo, comunicar imediatamente o profissional responsável pela conduta obstétrica e registrar horário, achados e comunicação.

Segurança na vigilância fetal

Execução, leitura sistemática e conduta diante do traçado de cardiotocografia.

Conhecer o curso

Referências

  1. Ayres-de-Campos D, Spong CY, Chandraharan E. FIGO consensus guidelines on intrapartum fetal monitoring: Cardiotocography. Int J Gynaecol Obstet. 2015;131(1):13-24.
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal: versão resumida. Brasília: Ministério da Saúde; 2017.
  3. Alfirevic Z, Devane D, Gyte GML, Cuthbert A. Continuous cardiotocography (CTG) as a form of electronic fetal monitoring (EFM) for fetal assessment during labour. Cochrane Database Syst Rev. 2017;(2):CD006066.
  4. Conselho Federal de Enfermagem. Parecer de Conselheiro Federal nº 149/2023/PLEN/COFEN. Ausculta de batimentos cardiofetais.
  5. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 516/2016, alterada pelas Resoluções Cofen nº 524/2016 e nº 672/2021.
  6. Brasil. Lei nº 7.498, de 25 de junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem.
Nós usaremos cookies para melhorar e personalizar sua experiência.