Fístula arteriovenosa: ultrassom na punção para hemodiálise

Fístula arteriovenosa: ultrassom na punção para hemodiálise

Postado em 11/10/2026

Para o paciente em hemodiálise, a fístula é a linha da vida. Uma punção malfeita pode causar infiltração, hematoma e perda do acesso. O ultrassom ajuda o Enfermeiro a enxergar o que o exame físico não mostra.

Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.

Resposta rápidaO ultrassom permite ao Enfermeiro capacitado mapear o trajeto da fístula arteriovenosa, medir profundidade e calibre do segmento a ser puncionado, identificar áreas a evitar e guiar a punção em tempo real em fístulas novas, profundas ou difíceis. Ele complementa, e não substitui, o exame físico com inspeção, palpação do frêmito e ausculta do sopro. A diretriz KDOQI de acesso vascular de 2019 reconhece o ultrassom como ferramenta para avaliar e apoiar a canulação. Interpretar estenoses e indicar intervenção são condutas médicas.

Por que a punção da fístula é crítica

A fístula arteriovenosa (FAV) é a ligação cirúrgica entre uma artéria e uma veia, geralmente no braço, que faz a veia dilatar e engrossar a parede para suportar punções repetidas. Ela é o acesso preferido para hemodiálise por ter menor risco de infecção que os cateteres. Detalhamos os tipos de acesso em acesso vascular para hemodiálise.

Uma fístula pode ser puncionada várias vezes por semana, durante anos. Infiltrações, hematomas e punções repetidas no mesmo ponto favorecem estenose, aneurisma e trombose. Por isso, cada canulação conta para a sobrevida do acesso.

O que o ultrassom mostra

AvaliaçãoUtilidade para a punção
Trajeto da veia arterializadaDefine a direção da agulha e evita transfixar o vaso em curvas
ProfundidadeFístulas profundas são difíceis de palpar e exigem ângulo e comprimento de agulha adequados
CalibreMostra segmentos estreitos que devem ser evitados
Parede e conteúdoEvidencia hematomas, trombos e dilatações aneurismáticas, que são áreas a não puncionar
Posição da ponta da agulhaConfirma que a agulha está no centro do vaso e não encostada na parede posterior

Na avaliação de maturação, um parâmetro clássico conhecido como "regra dos 6" sugere que a fístula pronta tenha cerca de 6 mm de diâmetro, esteja a no máximo 6 mm de profundidade e apresente fluxo acima de 600 mL/min por volta de seis semanas. A medida do fluxo exige Doppler espectral e, em geral, é feita em exame especializado; a decisão sobre liberar a fístula para uso é da equipe médica e cirúrgica.

Punção guiada passo a passo

  1. Exame físico primeiro. Inspecione pele, sinais de infecção, edema e aneurismas. Palpe o frêmito e ausculte o sopro ao longo do trajeto.
  2. Mapeamento com ultrassom. Com transdutor linear em eixo curto, percorra o trajeto da anastomose em direção ao ombro. Marque com caneta cirúrgica os segmentos retos, de bom calibre e profundidade acessível.
  3. Garrote, quando indicado pelo protocolo. Em muitas fístulas, ele ajuda a dilatar a veia; observe a mudança na tela.
  4. Antissepsia e técnica asséptica. Proteja o transdutor com capa estéril e use gel estéril.
  5. Punção em tempo real. Acompanhe a ponta da agulha até o centro do vaso. Em eixo longo, é possível ver o trajeto inteiro da agulha.
  6. Confirmação. Verifique o refluxo, fixe a agulha e observe o local no início da sessão, quando o fluxo da bomba aumenta.

A técnica de rodízio dos pontos de punção ao longo de todo o trajeto ajuda a distribuir o trauma e a evitar a punção repetida na mesma área, que favorece aneurismas. A escolha da técnica segue o protocolo do serviço de diálise.

Onde o ultrassom faz mais diferença

  • fístulas recém-liberadas, com parede ainda frágil;
  • fístulas profundas, comuns em pacientes obesos;
  • histórico de infiltração ou punções difíceis;
  • suspeita de trombo ou estreitamento, para descrição e comunicação ao nefrologista.

Para desenvolver a punção guiada e a leitura de trajeto e calibre, o Grupo Nobre oferece a Habilitação em Ultrassonografia Avançada (POCUS), com foco em protocolos que fazem parte da rotina do Enfermeiro.

Perguntas frequentes

O ultrassom substitui o exame físico da fístula?

Não. Inspeção, palpação e ausculta continuam sendo a base da avaliação a cada sessão. O ultrassom acrescenta informação de profundidade, calibre e trajeto.

O Enfermeiro pode diagnosticar estenose da fístula?

Não. O Enfermeiro pode descrever um segmento estreito ou uma alteração de fluxo percebida e comunicar. O diagnóstico e a indicação de angioplastia ou cirurgia são médicos.

Preciso de capa estéril no transdutor?

Para punção guiada em tempo real, sim. Use capa e gel estéreis, seguindo o protocolo de controle de infecção do serviço.

Preserve o acesso do seu paciente

A habilitação em POCUS do Grupo Nobre trabalha punção guiada e avaliação de trajeto venoso com ultrassom.

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Referências

  1. Lok CE, Huber TS, Lee T, et al. KDOQI Clinical Practice Guideline for Vascular Access: 2019 Update. Am J Kidney Dis. 2020;75(4 Suppl 2):S1-S164.
  2. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC nº 11, de 13 de março de 2014. Dispõe sobre os requisitos de boas práticas de funcionamento para os serviços de diálise.
  3. Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 679/2021. Normatiza a ultrassonografia realizada por Enfermeiro no ponto de cuidado e no ambiente pré-hospitalar. Brasília: Cofen; 2021.
  4. Nickel B, Gorski L, Kleidon T, et al. Infusion Therapy Standards of Practice, 9th edition. J Infus Nurs. 2024;47(1S Suppl 1):S1-S285.
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