Três Virtudes de Anna Nery que Inspiram a Enfermagem Contemporânea
Postado em 14/03/2026
Quem foi Anna Nery?
Anna Justina Ferreira Nery nasceu em 13 de dezembro de 1814, em Cachoeira, na Bahia. Foi a primeira enfermeira brasileira a atuar em um campo de batalha e é considerada, por lei federal, a Patrona da Enfermagem Brasileira. Sua história é um símbolo de coragem, abnegação e amor ao próximo que transcende sua época e continua a inspirar gerações de profissionais de saúde.
Ao longo de toda a história da enfermagem no Brasil, poucas figuras reuniram em si mesmas tantas qualidades que definem o espírito da profissão. Anna Nery não tinha formação técnica formal em enfermagem, pois no Brasil do século XIX ainda não existia como profissão estruturada. Mas tinha algo que nenhum currículo pode substituir: um chamado genuíno para o serviço ao próximo.
A Guerra do Paraguai e o Legado de Anna Nery
Em 1865, com a eclosão da Guerra do Paraguai, Anna Nery pediu ao governo imperial autorização para acompanhar seus dois filhos ao campo de batalha como voluntária. Sua solicitação foi aceita, e ela passou os anos seguintes prestando cuidados a feridos e enfermos nas mais precárias condições imagináveis: falta de medicamentos, calor extremo, doenças infecciosas e a violência da guerra ao redor.
Durante esse período, Anna Nery organizou a assistência de enfermagem nos hospitais de campanha, treinou outras mulheres para prestar cuidados básicos, gerenciou recursos escassos com criatividade e sensibilidade e nunca abandonou seu posto. Ao retornar ao Brasil após a guerra, foi recebida como heroína nacional.
As Três Virtudes de Anna Nery que Inspiram a Enfermagem Contemporânea
1. Coragem
A coragem de Anna Nery não era a ausência do medo: era a capacidade de agir apesar dele. Ela enfrentou o campo de batalha em uma época em que mulheres não eram esperadas naquele espaço. Ela se expôs a doenças contagiosas, condições insalubres e a violência da guerra para cuidar de quem precisava.
Para o enfermeiro contemporâneo, a coragem se manifesta de formas diferentes: na disposição de confrontar um erro, de defender o paciente mesmo diante de hierarquias, de trabalhar em ambientes de alta pressão sem perder o foco no cuidado, e de buscar qualificação mesmo quando o sistema não facilita. A enfermagem exige coragem todos os dias.
2. Dedicação
Anna Nery dedicou anos de sua vida ao cuidado de desconhecidos em condições extremas, sem remuneração adequada, sem reconhecimento imediato e longe de sua família. Essa dedicação irrestrita ao trabalho e ao paciente é o que a tornou uma referência histórica.
Na prática contemporânea, a dedicação do enfermeiro se manifesta na qualidade do cuidado prestado mesmo em dias exaustivos, na presença atenta ao lado do paciente, na busca constante por atualização técnica e na responsabilidade com cada procedimento realizado. A dedicação é o que transforma a competência técnica em cuidado de excelência.
3. Humanismo
Anna Nery não via apenas feridas e doenças: via seres humanos com histórias, medos e dignidade. Seu cuidado era integral, incluindo não apenas o aspecto físico do tratamento, mas o suporte emocional, a presença, o conforto nos momentos de dor e o respeito pela humanidade de cada pessoa sob seus cuidados.
O humanismo é, talvez, a virtude mais necessária e mais difícil de manter na enfermagem moderna, onde a sobrecarga, a burocracia e o esgotamento ameaçam constantemente a qualidade da relação humana entre profissional e paciente. Cultivar o olhar humanizado, como fez Anna Nery, é um ato de resistência e de fidelidade à essência da profissão.
Por que Anna Nery é Patrona da Enfermagem?
A Lei Federal n. 2.604/1955 instituiu 12 de maio como o Dia do Enfermeiro, em homenagem ao aniversário de Florence Nightingale, e Anna Nery foi reconhecida como Patrona da Enfermagem Brasileira por decreto posterior. A escolha reflete o consenso da categoria de que sua trajetória representa os valores mais fundamentais da profissão no contexto brasileiro: o serviço ao povo, o compromisso com o cuidado e a disposição para o sacrifício em nome do bem coletivo.
Conclusão
Anna Nery viveu há mais de 150 anos, mas suas virtudes são tão relevantes hoje quanto eram em seu tempo. Coragem, dedicação e humanismo são qualidades que o mercado de trabalho busca, que os pacientes precisam e que a profissão exige de todos que a escolhem como caminho.
Ao estudar e honrar o legado de Anna Nery, o enfermeiro contemporâneo não está apenas celebrando uma figura histórica: está reafirmando o compromisso com os valores que dão sentido à enfermagem.
