Cetoacidose diabética: cuidados de enfermagem
Postado em 11/10/2026
A cetoacidose diabética é uma emergência metabólica que exige monitorização intensa e ajustes frequentes. O Enfermeiro acompanha glicemia, potássio, hidratação e nível de consciência, peças-chave para um tratamento seguro.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaPelo consenso internacional de 2024 sobre crises hiperglicêmicas, a cetoacidose diabética é diagnosticada quando há três elementos: glicemia de 200 mg/dL ou mais (ou diagnóstico prévio de diabetes, independentemente da glicemia), cetonemia (beta-hidroxibutirato de 3,0 mmol/L ou mais, ou cetonúria de 2+ ou mais) e acidose (pH abaixo de 7,3 e/ou bicarbonato abaixo de 18 mmol/L). O tratamento se apoia em hidratação venosa, insulina intravenosa, reposição de potássio e tratamento da causa. Se o potássio estiver abaixo de 3,5 mmol/L, ele deve ser reposto antes de iniciar a insulina. A enfermagem é responsável pela monitorização frequente e pela segurança da infusão.
O que acontece na cetoacidose
Na falta de insulina, as células não captam a glicose e o organismo passa a quebrar gordura como fonte de energia, produzindo corpos cetônicos. Eles são ácidos e se acumulam no sangue, gerando acidose metabólica com ânion gap aumentado. Ao mesmo tempo, a glicose elevada provoca diurese osmótica, com desidratação e perda de eletrólitos, especialmente potássio.
Os sinais incluem sede intensa, poliúria, náuseas, vômitos, dor abdominal, respiração rápida e profunda (respiração de Kussmaul), hálito cetônico, desidratação e alteração do nível de consciência. Entre os fatores precipitantes estão infecções, omissão de insulina, diagnóstico novo de diabetes tipo 1 e uso de inibidores de SGLT2.
Critérios diagnósticos do consenso de 2024
| Critério | Definição |
|---|---|
| Diabetes ou hiperglicemia | Glicemia de 200 mg/dL ou mais, ou história prévia de diabetes, independentemente da glicemia |
| Cetose | Beta-hidroxibutirato de 3,0 mmol/L ou mais, ou cetonúria de 2+ ou mais |
| Acidose | pH abaixo de 7,3 e/ou bicarbonato abaixo de 18 mmol/L |
A inclusão da história prévia de diabetes como critério permite reconhecer a cetoacidose euglicêmica, em que a glicemia não está muito alta. Ela se tornou mais frequente com o uso de inibidores de SGLT2, e por isso a medida de cetonas deve ser considerada mesmo com glicemia pouco elevada.
Os pilares do tratamento
- Hidratação venosa. Corrige o déficit de volume e melhora a perfusão renal. O tipo de solução e a velocidade seguem prescrição e protocolo.
- Insulina intravenosa. Em bomba de infusão, conforme protocolo institucional. Quando a glicemia cai abaixo de 250 mg/dL, o consenso orienta acrescentar soro glicosado a 5% ou 10% e manter a insulina até a resolução da cetonemia.
- Potássio. A insulina leva o potássio para dentro das células e pode causar hipocalemia grave. Se o potássio inicial estiver abaixo de 3,5 mmol/L, repõe-se o eletrólito e adia-se a insulina até que ultrapasse esse valor. Quando o potássio cai abaixo de 5,0 mmol/L, inicia-se a reposição, com alvo entre 4 e 5 mmol/L.
- Bicarbonato. Não é usado de rotina. O consenso reserva a sua consideração para acidose grave, com pH abaixo de 7,0.
- Tratamento da causa. Investigação de infecção e de outros fatores precipitantes.
Monitorização e transição para insulina subcutânea
O consenso recomenda dosar potássio na admissão, 2 horas após o início da insulina e a cada 4 horas até a resolução, e acompanhar eletrólitos, fosfato, creatinina, beta-hidroxibutirato e pH venoso a cada 4 horas. A glicemia capilar é verificada em intervalos curtos, definidos pelo protocolo da unidade. A medida do beta-hidroxibutirato é o método preferido para acompanhar a resolução; na falta dela, a normalização do ânion gap é uma alternativa.
Na transição, a insulina basal subcutânea deve ser aplicada pelo menos 1 a 2 horas antes de suspender a infusão venosa. Desligar a bomba sem essa sobreposição é uma causa conhecida de recidiva da cetoacidose.
Perguntas frequentes
Existe cetoacidose com glicemia normal?
Sim. É a cetoacidose euglicêmica, mais associada ao uso de inibidores de SGLT2. Por isso o consenso de 2024 aceita a história de diabetes como critério, independentemente da glicemia.
Por que não iniciar insulina com potássio baixo?
Porque a insulina desloca o potássio para dentro das células e pode agravar a hipocalemia, com risco de arritmias.
Quando acrescentar soro glicosado?
Quando a glicemia cai abaixo de 250 mg/dL, mantendo a insulina até a resolução da cetonemia, conforme o consenso de 2024.
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Referências
- Dhatariya KK, Davis GM, Klonoff DC, et al. Hyperglycemic crises in adults with diabetes: a consensus report. Diabetes Care. 2024;47(8):1257-75.
- Kitabchi AE, Umpierrez GE, Miles JM, Fisher JN. Hyperglycemic crises in adult patients with diabetes. Diabetes Care. 2009;32(7):1335-43.
- Berend K, de Vries AP, Gans RO. Physiological approach to assessment of acid-base disturbances. N Engl J Med. 2014;371(15):1434-45.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 736, de 17 de janeiro de 2024. Dispõe sobre a implementação do Processo de Enfermagem. Brasília: Cofen; 2024.
