AVC: reconhecimento, escalas e cuidados de enfermagem
Postado em 11/10/2026
No AVC isquêmico, cada minuto conta. O Enfermeiro que reconhece os sinais, registra a hora certa e agiliza glicemia, exames e monitorização encurta o caminho até a trombólise ou a trombectomia.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaO AVC deve ser suspeitado diante de déficit neurológico súbito, como desvio da comissura labial, fraqueza em um braço ou alteração da fala. A enfermagem registra o horário em que o paciente foi visto bem pela última vez, mede a glicemia capilar para afastar hipoglicemia e aciona o protocolo de AVC. A escala de Cincinnati ajuda no reconhecimento rápido e a NIHSS quantifica a gravidade. A trombólise intravenosa pode ser feita até 4,5 horas do início dos sintomas, e a trombectomia, em casos selecionados, até 24 horas. Antes e depois da trombólise, o controle da pressão arterial e a vigilância neurológica frequente são cuidados centrais.
Reconhecer rápido: o que observar
O AVC se apresenta como um déficit neurológico focal de início súbito. Os sinais mais comuns são assimetria facial, fraqueza ou dormência em um lado do corpo, dificuldade para falar ou compreender, perda visual, desequilíbrio e cefaleia intensa e súbita (mais associada ao AVC hemorrágico).
A Escala Pré-Hospitalar de AVC de Cincinnati avalia três itens: queda facial (pedir para sorrir), queda do braço (manter os braços estendidos) e fala anormal (repetir uma frase). Ela foi validada para uso por profissionais de atendimento pré-hospitalar e é simples o bastante para a triagem. Variações mnemônicas que acrescentam equilíbrio e visão também são usadas em protocolos institucionais.
A hora que importa: último momento visto bem
A janela terapêutica é contada a partir do início dos sintomas. Quando ninguém presenciou o início, considera-se o último momento em que o paciente foi visto sem sintomas. Se a pessoa acordou com o déficit, esse horário é o da última vez que estava bem antes de dormir. Registrar essa informação com precisão, conversando com familiares e acompanhantes, é uma contribuição decisiva da enfermagem, porque define quais tratamentos são possíveis.
Escalas e exames na chegada
- Glicemia capilar. A hipoglicemia pode imitar um AVC. O manual de rotinas do Ministério da Saúde lista glicemia abaixo de 50 mg/dL com reversão dos sintomas após a correção como critério de exclusão para trombólise.
- NIHSS. A National Institutes of Health Stroke Scale quantifica o déficit em itens como nível de consciência, olhar, campo visual, face, membros, sensibilidade, linguagem e negligência. Ela orienta decisões e serve de base para comparar reavaliações.
- Escala de Coma de Glasgow e pupilas. Úteis para acompanhar o nível de consciência, sobretudo no AVC hemorrágico.
- Imagem sem atraso. A diretriz de 2026 da American Heart Association e da American Stroke Association recomenda não atrasar a angiotomografia à espera da creatinina quando se suspeita de oclusão de grande vaso. Eletrocardiograma e troponina são recomendados, mas sem atrasar o tratamento.
Trombólise e trombectomia: o que a enfermagem acompanha
Pela diretriz AHA/ASA 2026, a janela padrão para trombólise intravenosa é de 4,5 horas do início dos sintomas ou do último momento visto bem. Em pacientes selecionados por exames de perfusão, ela pode ser estendida. São recomendadas a tenecteplase ou a alteplase, em doses definidas pela diretriz e prescritas pelo médico. A trombectomia mecânica é recomendada em oclusões proximais selecionadas até 6 horas e, em critérios específicos, entre 6 e 24 horas.
O Manual de rotinas para atenção ao AVC, do Ministério da Saúde, considera critério de exclusão para trombólise a pressão sistólica de 185 mmHg ou mais, ou diastólica de 110 mmHg ou mais, em três medidas com 10 minutos de intervalo. Durante e após o tratamento, a pressão deve ser mantida em até 180/105 mmHg, e o manual orienta verificar a NIHSS a cada 15 minutos durante a infusão.
Perguntas frequentes
Qual o prazo para a trombólise no AVC?
Até 4,5 horas do início dos sintomas ou do último momento visto bem, na janela padrão. Em casos selecionados por exames de perfusão, a diretriz de 2026 admite janelas estendidas.
O Enfermeiro pode aplicar a NIHSS?
Sim, a NIHSS é usada por equipes multiprofissionais treinadas. Protocolos de unidades de AVC costumam prever a aplicação e a reavaliação pela enfermagem.
Por que medir a glicemia em todo suspeito de AVC?
Porque a hipoglicemia pode causar déficit neurológico que imita o AVC e deve ser corrigida antes de qualquer decisão sobre trombólise.
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Referências
- Prabhakaran S, Gonzalez NR, Zachrison KS, et al. 2026 Guideline for the Early Management of Patients With Acute Ischemic Stroke: a guideline from the American Heart Association/American Stroke Association. Stroke. 2026.
- Brasil. Ministério da Saúde. Manual de rotinas para atenção ao AVC. Brasília: Editora do Ministério da Saúde; 2013.
- Kothari RU, Pancioli A, Liu T, Brott T, Broderick J. Cincinnati Prehospital Stroke Scale: reproducibility and validity. Ann Emerg Med. 1999;33(4):373-8.
- Brott T, Adams HP Jr, Olinger CP, et al. Measurements of acute cerebral infarction: a clinical examination scale. Stroke. 1989;20(7):864-70.
