Gestão de materiais e custos na enfermagem
Postado em 11/10/2026
Boa parte dos materiais de um hospital passa pelas mãos da enfermagem. Saber prever, controlar e justificar o consumo protege o paciente da falta de insumos e a instituição do desperdício.
Por Equipe Editorial Grupo Nobre. Revisado em 11/10/2026.
Resposta rápidaA gestão de materiais na enfermagem envolve participar da padronização de itens, prever o consumo de cada unidade, definir estoques mínimos e pontos de reposição, controlar validade e rastreabilidade e reduzir perdas. A curva ABC ajuda a concentrar esforços nos itens de maior valor. O Enfermeiro contribui com o conhecimento técnico sobre o uso dos materiais e com o registro correto do consumo, que também é base para o faturamento e para evitar glosas. Segurança do paciente vem antes de economia: trocar um material deve passar por avaliação técnica.
Por que o Enfermeiro precisa entender de materiais
Seringas, cateteres, coberturas, equipos, luvas, soluções e equipamentos estão no centro do trabalho da enfermagem. Quando falta um item, o cuidado é improvisado e o risco aumenta. Quando sobra, o material vence, ocupa espaço e imobiliza dinheiro. A RDC Anvisa nº 63/2011, que trata das boas práticas de funcionamento dos serviços de saúde, exige que o serviço gerencie suas tecnologias, incluindo seleção, aquisição, armazenamento, rastreabilidade e descarte. A enfermagem é parceira natural desse processo.
Etapas da gestão de materiais
| Etapa | Participação da enfermagem |
|---|---|
| Padronização | Indicar necessidades, avaliar tecnicamente produtos e participar da comissão de padronização |
| Previsão | Informar consumo médio, sazonalidade e mudanças no perfil de pacientes |
| Aquisição | Emitir parecer técnico sobre amostras e marcas |
| Recebimento e armazenamento | Conferir integridade, validade e condições de guarda nas unidades |
| Distribuição | Definir cotas por unidade, kits por procedimento e reposição programada |
| Controle | Registrar consumo por paciente, notificar queixas técnicas e acompanhar perdas |
Ferramentas práticas
Curva ABC. Ordene os itens pelo valor total consumido em um período. Os itens A são poucos, mas concentram a maior parte do gasto. Os itens C são muitos e de baixo valor. Concentre controles mais rigorosos, como inventário frequente e acompanhamento de consumo por paciente, nos itens A.
Classificação por criticidade. Combine a curva ABC com a importância clínica. Um item de baixo valor pode ser crítico, como um conector específico para um cateter, e a falta dele interrompe o tratamento.
Ponto de reposição. Uma fórmula simples é: ponto de reposição = (consumo médio diário × tempo de reposição em dias) + estoque de segurança. Quando o saldo atinge esse ponto, o pedido deve ser feito.
PVPS. O primeiro que vence é o primeiro que sai. Organize prateleiras com os itens de validade mais curta à frente e faça conferência periódica de validade nas unidades.
Kits por procedimento. Kits padronizados para procedimentos frequentes, como curativo de cateter central ou sondagem vesical, reduzem desperdício, facilitam a cobrança e diminuem o tempo de preparo.
Custos: o que a enfermagem consegue influenciar
- Desperdício: materiais abertos e não usados, excesso de itens levados ao quarto, perdas por validade.
- Registro do consumo: material usado e não anotado é custo sem faturamento. Registro incompleto gera glosas nas contas de convênios.
- Retrabalho: punções repetidas, curativos refeitos e dispositivos perdidos aumentam o consumo e o risco ao paciente.
- Eventos adversos: quedas, lesões por pressão e infecções aumentam o tempo de internação e o uso de recursos. Prevenir é também gerir custos.
Para entender como o registro de enfermagem impacta as contas e as glosas, veja o artigo sobre auditoria em enfermagem.
Perguntas frequentes
A enfermagem deve controlar o almoxarifado?
Em geral, não. O almoxarifado é da área de suprimentos. A enfermagem participa da padronização, da previsão e do controle nas unidades.
O que é queixa técnica?
É a notificação de suspeita de problema em um produto, como defeito, rótulo inadequado ou desempenho fora do esperado. Deve seguir o fluxo da instituição e pode ser comunicada à vigilância sanitária.
Como reduzir custos sem comprometer a segurança?
Atacando desperdício, perdas por validade e eventos adversos evitáveis, e não reduzindo materiais necessários ao cuidado.
O MBA em Gestão em Saúde do Grupo Nobre aborda custos, suprimentos, indicadores e gestão de serviços.
Referências
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária. RDC nº 63, de 25 de novembro de 2011. Dispõe sobre os requisitos de boas práticas de funcionamento para os serviços de saúde.
- Conselho Federal de Enfermagem. Resolução Cofen nº 782, de 2 de julho de 2025. Anotação de Responsabilidade Técnica e atribuições do Enfermeiro Responsável Técnico.
- Vecina Neto G, Reinhardt Filho W. Gestão de recursos materiais e de medicamentos. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo; 1998. (Série Saúde & Cidadania, v. 12).
- Kurcgant P, coordenadora. Gerenciamento em enfermagem. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2016.
